
A Serva de Deus, Madre Assunta Marchetti, nasceu em Lombrici de Camaiore, província de Lucca, na Itália, em 15 de agosto de 1871 e faleceu em São Paulo, no Brasil, em 1º de julho de 1948. Co-fundadora das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeo Scalabrinianas, dedicou-se inteiramente aos migrantes, principalmente órfãos, enfermos, aflitos e desamparados. Firme no amor a Jesus Cristo e à Santíssima Virgem, conseguiu forças em todos os momentos de sua humilde e atribulada vida. De Superiora Geral da Congregação à cozinheira dos orfanatos, asilos e hospitais, estendeu suas mãos e acolheu os migrantes, em especial, os órfãos e mais necessitados.
Sua existência terrena de 77 anos foi uma sucessão de atos heróicos de fortaleza e coragem, além de outras tantas virtudes que a enobreceram. Foi o anjo da caridade, a mãe dos órfãos, dando-lhes carinho, curando seus males e fazendo aflorar nos rostinhos sombrios e tristes um tímido sorriso, além de dar-lhes o pão que saciava a fome e alegrava o coração.
Desde jovem, alimentou o desejo de tornar-se religiosa carmelita, opção que foi adiada devido às dificuldades familiares. Porém, as circunstâncias da vida lhe mostraram outro caminho: diante do apelo de seu irmão Pe. José Marchetti, acolheu o chamado de Deus para estar a serviço dos migrantes órfãos e abandonados no exterior. Juntamente com sua mãe Carolina Marchetti, já viúva, e com mais duas jovens irmãs, Madre Assunta assumiu esta missão nobre, nascida e alimentada no seio familiar, que era rica em fé, caridade e honestidade. Os afazeres domésticos, a saúde frágil da mãe e a morte prematura do pai fizeram com que Assunta tivesse um período de escolaridade curto, somente o elementar. Porém, na escola, era uma aluna aplicada, exemplar e colega atenciosa.
Madre Assunta é o exemplo vivo de vida comunitária. “Ninguém pode dizer que ama a Deus que não vê, se não amar o irmão a quem vê”. Fez de sua vida uma doação constante e amorosa aos irmãos, manifestando, assim, seu amor para com Deus. Praticou as obras de misericórdia espirituais, sendo sempre afável, cortês e disponível com todos. Ensinava a doutrina cristã às crianças e adultos, preparava os jovens para receber os Santos Sacramentos, aconselhava e consolava os aflitos e rezava pela conversão dos pecados. Exercitou, de maneira singular, o sentido de Igreja e Sociedade, vendo Jesus na pessoa dos indigentes, dos migrantes, dos doentes, dos órfãos e de todas as obras de misericórdia corporal que lhe foram possíveis.
O edificante percurso missionário da Serva de Deus é um forte testemunho de fidelidade ao chamado divino e exemplo para todos nós batizados na santa Igreja. Como ela, sejamos testemunhos, com a vida e em gestos concretos, de amor e acolhida aos nossos semelhantes.
Ivanete Capellari – LMS - GIC